Refúgio Vida Silvestre Gurjaú ganha novos agentes populares ambientais

O Curso de Formação de Agentes Populares Ambientais reuniu cerca de 50 atores sociais e os sensibilizou a terem um novo olhar sobre o RVS. A iniciativa realizará intervenções na área até o final do ano.

O Refúgio Vida Silvestre Matas do Sistema Gurjaú, área localizada nos municípios de Jaboatão dos Guararapes, Cabo de Santo Agostinho e Moreno, tem um papel importante para a Região Metropolitana do Recife. A área abriga rios que abastecem a cidade e renascentes de Mata Atlântica que atuam na regulação climática e redução da poluição atmosférica. Entretanto, sua biodiversidade é ameaçada e, para superar esse desafio, início ao Projeto Formação de Agentes Populares Ambientais: RVS Gurjaú.

A ação visa expandir conceitos de educação ambiental para a população local para, a partir desse conhecimento, gerar uma mudança de olhar para com o Refúgio Vida Silvestre e as Unidades de Conservação de modo geral. “O Projeto representa um passo importante na apropriação e reconhecimento do sentido de conservação e preservação do RVS Gurjaú”, pontua Patrícia Caldas, coordenadora geral da ação.

De acordo com Caldas, a iniciativa se dividiu em dois momentos: o Curso de Formação de Agentes Populares Ambientais e um conjunto de intervenções na área. A primeira etapa do Projeto foi realizada entre os dias 8 a 12 de julho na sede do RVS Gurjaú, no Cabo de Santo Agostinho. Durante a formação, integrantes do Conselho Gestor, lideranças das comunidades, professores de escolas próximas e demais atores sociais discutiram sobre a criação e gestão do RVS Gurjaú no contexto de Áreas Protegidas e Unidades de Conservação; Educação ambiental, sustentabilidade e qualidade de vida; Biodiversidade, base de nossas vidas; Água, fonte de vida e direito humano; e Consumo e geração de resíduos sólidos.

Para Camila Melo Batista, agente ambiental de Jaboatão dos Guararapes, o curso mostrou que é possível utilizar a educação ambiental para conscientizar a comunidade do RVS Gurjaú e do seu entorno sobre a importância da proteção da Unidade de Conservação. “O curso também foi importante porque podemos conhecer um pouco mais do RVS Gurjaú e como os participantes podem atuar como Agentes Populares Ambientais não só na comunidade ou no seu entorno, mas no seu dia a dia como agentes multiplicadores”, destacou a agente ambiental.

Morador do Refúgio há 37 anos, Marcos Borges viu com bons olhos o curso e afirmou que a troca de conhecimento foi fundamental para avaliar positivamente a capacitação. Como destaque, o morador pontua o debate sobre os resíduos sólidos, pois serviu de reforço em relação aos cuidados que ele tem sobre esse tema e sobre o entendimento de como os resíduos prejudicam o meio ambiente, a sociedade e os mares. “Esses resíduos caem nos rios, e o rio leva o resíduo para o mar. Os peixes, as tartarugas sofrem com essas garrafas pet e plásticos. A gente se chocou muito com os vídeos que assistimos no Curso. É um alerta para que cada um possa aprender e reforçar ainda mais [os cuidados com o meio ambiente] com o governo municipal, estadual e federal e tentar combater [a poluição]”, destacou o morador e participante da capacitação. Além desse tema, os participantes apontaram temas importantes, como desmatamento, resíduos sólidos, caça predatória e uso de agrotóxicos.

Consciente, o morador coloca em prática aquilo que aprendeu no Curso de Formação de Agentes Populares Ambientais. “Estamos montando um grupo para visitar o pessoal da comunidade e tentar conscientizar as pessoas a não jogarem o lixo no rio, aprender a cuidar mais, preservar essa área. Cada um de nós deve fazer a sua parte. Se cada um fizer, o mundo na frente será melhor”, acredita Marcos Borges. A segunda etapa do projeto prevê a realização de intervenções como fruto do Curso de Formação de Agentes Populares Ambientais e está prevista para ser realizada até o final deste ano.

RVS Gurjaú – O Refúgio de Vida Silvestre tem como objetivo proteger ambientes naturais onde se asseguram condições para a existência ou reprodução de espécies ou comunidades da flora local e da fauna residente ou migratória. O Refúgio pode ser constituído por áreas particulares, desde que seja possível compatibilizar os objetivos da unidade com a utilização da terra e dos recursos naturais do local pelos proprietários. Hoje, Pernambuco conta com 27 Refúgios da Vida Silvestre e todos eles tiveram origem na Lei Estadual nº 9.989/87, que instituiu as “Reservas Ecológicas – RESECs” da Região Metropolitana do Recife, com o objetivo de proteção do sistema hidrográfico, do relevo, do solo, da fauna e da flora existentes. Em 2011, a área foi categorizada como Refúgio da Vida Silvestre pela Lei nº 14.324.

Projeto – O Projeto Formação de Agentes Populares Ambientais: RVS Gurjaú é realizado pela Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) e Agência Estadual de Meio Ambiente – CPRH e executado pela a Associação Águas do Nordeste (ANE), com os recursos da Compensação Ambiental.

Com informações da CPRH

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